Convite: Circuito sobre luto e melancolia - parte 2
- Coletivo de Analistas Palavra e Vereda

- 18 de mar. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: 27 de mar. de 2025
Início em 22/03 - Inscrições abertas para novos participantes!
“Só há pouco percebi que escrever o romance é impossível. Para contar a história de uma vida regida pela necessidade, não posso assumir, de saída, um ponto de vista artístico, nem fazer alguma coisa 'cativante' ou 'comovente'. Vou recolher as falas, os gestos, os gostos de meu pai, os fatos mais marcantes de sua vida, todos os indícios objetivos de uma existência que também compartilhei."
No cotidiano, na clínica, escutamos diferentes narrativas ao redor de perdas e ausências. As vezes, vindas como frases curtas, descritivas, as vezes aos prantos, com raiva, constatações baixas ou até mesmo com silêncios. Começamos um grupo de estudos no ano passado pelo Palavra e Vereda, onde começamos a estudar o tema luto e melancolia, a partir da perspectiva freudiana.
O trecho acima e os falados no vídeo fazem parte do livro “o lugar”, escrito por Annie Ernaux. Ao perder seu pai, Ernaux cria. Compreende que a perspectiva com a qual escolhe narrar a história é importante em si, para a própria história dos dois. Escolhe não uma grande comoção que poderia criar com as palavras as quais tem acesso. Faz uma renuncia. Traz pra dentro do texto as palavras que escutava do pai, que ele repetia, os seus gestos e a história dos dois. No grupo, conversamos muito sobre essas histórias ao longo dos encontros. Nessa continuação dos nossos estudos, é com a leitura e conversa sobre o texto que começaremos a segunda parte do circuito nesse ano. Em seguida, como auxílio, comentário da leitura feita de luto e melancolia, discutiremos o capítulo 1 do livro de Dunker.
Se por um lado as perdas fazem parte da vida, o tempo, o trabalho e os recursos que cada um possui para a passagem da dor em sofrimento, como diz Cristhian Dunker em seu livro, não está dado. O que acontece quando a perda recai sobre o próprio eu, como uma sombra que não se dissipa? Quando a tristeza se cristaliza e a sensação de perda se instala mesmo sem uma ruptura ou morte evidente?
Pela curiosidade em aprofundar um outro lado da perda e da relação com o tempo, também estudaremos a depressão e melancolia, a partir dos textos A depressão é a perda de uma ilusão, de J. D. Nasio, e O tempo e o cão, da Maria Rita Kehl.
As inscrições são gratuitas e estão abertas! Começamos neste sábado, dia 22, e seguimos juntos por um mês.
Se quiser participar. Te esperamos lá!



Comentários